
Por essa eu não esperava, Menô. Fui pega totalmente de surpresa pela visita — dessa vez, não pela sua visita, mas da sua prima distante: sim, ela voltou.
Acordei de manhã e ela estava lá me esperando. Felizmente fui surpreendida, mas não estava desprevenida. Lembro que, há cerca de um mês, olhei meu último pacote de absorventes e pensei: eu já não menstruo há quatro meses, não preciso levar isso na mala.
Parece exagero, mas, para quem é nômade como eu, cada espaço é precioso. E a gente se vê precisando decidir entre os absorventes e aquela blusinha linda que, bem dobrada, fica mínima. No mesmo instante, ouvi as palavras da minha ginecologista: “Vivi, só é certeza que acabou mesmo depois de um ano da última menstruação”. A blusinha ficou.
E cá estou eu, meio perdida, Menô. Achei que finalmente tínhamos nos entendido, que estávamos virando amigas, que você tinha vindo para ficar e que íamos ter uma convivência razoavelmente pacífica — na medida do possível.
Menô, miga, sua louca, como você aparece e desaparece desse jeito?
O que foi tudo isso então, nos últimos meses? Fogacho, esquecimentos, sensação de ser abduzida… Foi só um aviso prévio?
Faz isso comigo não, miga. Confesso que estou um pouco assustada e um tanto preocupada com o que vai ser quando você vier para valer.
Escuta: eu limpei a casa, fiz um chá, coloquei aquela música dramática que você gosta na playlist. Estamos eu e sua prima aqui esperando para uma conversa de amigas. Sei que vocês não se falam: se você chega, ela desaparece. Mas precisamos nos entender e combinar na agenda — quando sua prima vai embora, quando você vem de fato — para eu deixar o quarto de visitas preparado.
Tá bom assim? Aguardo notícias suas, miga.
Crônica da série A Menô e Eu, de Vivi Griffon