Quem disse que não pode?

Não sei você, mas eu cresci rodeada de tabus sobre a maturidade – especialmente feminina. Frases soltas, jogadas “ao acaso”, para deixar bem claro para a mulher qual é o lugar dela. Comentários julgando o corpo alheio, marcas de um patrulhamento febril.

Cabelo comprido depois dos 40 anos? Não é elegante. Minissaia? Vergonhoso. Usar biquini? Não tem senso de ridículo mesmo. Dançar em público. Ficou louca? Namorar? Perdeu completamente a noção…

Eu poderia preencher todo esse espaço com frases ouvidas ao longo de cinco décadas de vida, uma doutrinação disfarçada de conselho amoroso para você não passar vergonha quando chegar a sua vez. Mas acho que não preciso dizer mais – você sabe do que estou falando, sabemos do que estamos falando – no fundo, sabemos o que estamos ouvindo.

“Ela não se põe no lugar dela” – resume muito.

E qual seria esse lugar, eu passei a me perguntar conforme meus 50 anos se aproximavam – uma reflexão que começou por volta dos 40 e levou quase uma década.

O lugar de quem já casou, separou, criou o filho… ou seja, fez a sua parte para a sociedade, pode sentar diante da frente da TV e esperar a morte chegar.

É… a morte, essa sorrateira que pode nos engolir ainda em vida, transformando-nos em zumbis de nós mesmas, sombras do que fomos – e do que sonhávamos ser.

Mas e se questionarmos esse lugar dela, seu, meu, nosso? 

E se pudermos decidir que esse lugar é onde quisermos que seja?

E se pudermos viver da forma que bem entendermos? 

E se pudermos estar onde queremos, com quem queremos, fazendo o que quisermos?

Parece uma louca transgressão…

Que loucura, não é, uma mulher de 40, 50, 60, 70, 80 anos cismar que pode fazer o que quiser, como se coubesse a ela decidir as próprias ações, o próprio destino, ou somente o corte de cabelo e a roupa que quer usar…

Mas e se pudermos…

E se eu puder…

Sim, eu posso! – eu descobri. E eu espero que você descubra que Você Também Pode! 

Vivi Griffon

Foto: Santos, Brasil. Março, 2024

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