Formas geométricas que buscam representar o título, com o triângulo representando a Menô, grande, instalado.

Sabe aquela história de que a morte é a única certeza da vida — e, ainda assim, vivemos como se ela nunca fosse acontecer? Pois para as mulheres existe outra certeza: a menopausa. E também vivemos como se ela jamais fosse chegar.

Mas ela chega. Chegou por aqui, e juro: não a convidei. Ela veio e se instalou. Minha mãe enfrentou muitos sintomas — e diz que, vez ou outra, a Menô ainda aparece por lá. Mesmo assim, eu acreditava que passaria ilesa. O gostoso dom da autoilusão.

Não posso dizer que ela chegou chegando, porque oficialmente ainda não estou na menopausa — para a Medicina, é preciso um ano inteiro sem menstruar. Tampouco posso dizer que foi uma chegada silenciosa.  As confusões e esquecimentos que a Menô trouxe causam um grande barulho mental.

Ainda assim, eu pensava: pode ser cansaço, estresse, desgaste… Até que vieram eles: os temidos fogachos.

O primeiro calor veio pelos pés — o que é uma contradição, porque meus pés costumam ser congelados. Foi subindo, subindo… até tomar o corpo todo. Tive a impressão de que uma chama vermelha acendia por dentro da pele. Imagem estranha, eu sei. Mas que faz jus à sensação. Depois vieram outros. Mais aleatórios. Começavam num ponto qualquer e se espalhavam sem lógica. A única certeza: dominam cada pedacinho.

Comecei um tratamento natural, homeopático. Cheguei a acreditar que daria adeus aos calores para sempre — doce autoilusão, sempre ela. Engano meu. Eles ainda vêm me visitar. Não tão intensos. Mas ainda surpreendentes.

De vez em quando sentamos no sofá — eu, eles e a Menô — e trocamos ideias.
Peço para pegarem leve. Eles sorriem. Eu também. E assim vamos, tentando nos conhecer melhor.

Crônica da série A Menô e Eu, por Vivi Griffon

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