
A menopausa é daquelas coisas que a gente só dá atenção quando já está ali, instalada. E não digo apenas por mim, que fui pega de surpresa por esses calores, essa confusão mental — e sabe-se lá o que mais ela anda fazendo com meu corpo, minha mente… e, por que não dizer, minha alma. Tem dias que a vontade é mandar tudo e todos para o inferno. Perdão. Já foi.
Digo isso também porque vejo minhas amigas de 40 e poucos sem dar a mínima para o tema — e não julgo. Eu fazia igual. Aliás, se for beeem honesta, fazia até alguns meses atrás, até o tal fogacho chegar.
Ia levando literalmente em banho-maria os esquecimentos, a confusão mental, a irritação… até que o calor veio, a coisa esquentou e o caldo entornou. (Sinto muito, a metáfora estava boa demais para desperdiçar.)
Comecei a mergulhar nesse universo para entender melhor o que acontece comigo — e, de quebra, reunir informações para compartilhar. E olha… estou descobrindo coisas que, como diz o ditado, até Deus duvida. (De novo dizendo o que não devia, citando-O em vão. Culpa desse calor que parece do diabo).
E descobri — pasmem! — que os sintomas podem começar até 10 anos antes da menopausa em si (a última menstruação). Ou seja: os sinais podem dar as caras já por volta dos 40… e seguir firmes e fortes por muito tempo, na tal da pós-menopausa. Conheço mulheres com mais de 70 que sentem um sintoma aqui, outro ali. Melhoraram, mas a Menô ainda está por lá. E quase não se fala disso!
Deveria ser manchete nos jornais: “O climatério — fase que engloba o antes, a menopausa e o que vem depois — pode durar até 30 anos”. Três décadas! Considerando que a mulher brasileira vive, em média, 80 anos, estamos falando de metade da vida adulta.
Toda essa enxurrada de números só para dizer: eu, que pensei que a chegada do fogacho era o começo… descobri que muita coisa que sinto há anos já fazia parte do Pacote Menô. Confesso que pensei: “Ufa. Talvez metade já ficou pra trás.” Ingênua. Provavelmente ainda tenho muito mais pela frente.
É… Parece que eu e a Menô vamos mesmo ter que nos entender. E, quem sabe, até virar amigas.
Crônica da série A Menô e Eu, de Vivi Griffon