Já foi o tempo em que o auge da minha crise existencial era saber o que nós, seres humanos, estamos fazendo neste planeta. Qual é o meu propósito, minha missão nesta vida. 

Atualmente a minha maior questão existencial é: “O que eu ia fazer agora?”.  

Às vezes me pego assim, do nada, com uma caneta em uma mão, um papel na outra, me fazendo essa pergunta. Deduzo que ia anotar algo — provavelmente importante, porque dificilmente escolho papel para anotar em vez do celular. E não tenho nada. Nem uma fagulha de memória.

Nem vou contar as inúmeras vezes em que isso acontece quando estou com o celular na mão, olhando a página inicial da tela com aquele monte de aplicativos, me perguntando: “Que raios eu ia fazer agora mesmo?”


Algo grita bem fundo em mim, avisando que eu me preparava para escrever, ler uma notícia importante ou enviar uma mensagem para alguém. Mas quem? Como? Por quê? Nenhum registro.

Tem horas que a dúvida chega no meio do movimento: há uns dias, eu estava me levantando do sofá depois de tirar o notebook do colo e interromper um trabalho que faltava finalizar. Ou seja: a missão que viria era importante o suficiente para isso. E qual seria mesmo? Não faço a menor ideia — até agora.

O jeito foi sentar de volta, incrédula, olhar ao redor para ter certeza de que não havia testemunhas da cena ridícula — se for o caso, a gente sempre pode fingir que vai ao banheiro ou beber água —, pegar novamente o notebook e continuar de onde parei. Pretendendo que nada daquilo tinha acontecido. E aconteceu?

Nesses momentos, eu sinto que fui abduzida. Levada para uma galáxia muito, muito distante, numa viagem na velocidade da luz por trilhões e trilhões de distâncias — e jogada de volta abruptamente no meio dessas situações. Parece loucura, mas, acreditem: essa é a explicação mais razoável que consigo encontrar.

É… De vez em quando acho que a Menô nos abduz para um planeta só dela.

Estou tentando driblar como posso: botando fé nas vitaminas que minha médica receitou, atualizando minha agenda e lista de afazeres diariamente, evitando notas e ideias soltas. Dizem que ajuda — depois eu conto para vocês.

Crônica da série A Menô e Eu, por Vivi Griffon

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