A Menô é polonesa
Como a Menô nasceu
Quem escreve sabe o quanto é difícil dizer o exato momento em que nasce uma personagem. Às vezes a ideia vem como um murmúrio e você se anima, percebendo que tem coisa interessante ali. Pode ser também quando se está sentada lutando com a página em branco em busca de ideias, jogando palavras aleatoriamente, e elas se juntam de forma que a personagem ganha corpo.
Mas tem situações em que ela parece já estar ali, instalada, apenas vai tirando os véus e se revelando aos poucos.
Comigo e com a Menô foi assim.
Quando os fogachos chegaram e a insônia era companhia constante, me ocorreu um pensamento: para nós, mulheres, a morte não é a única certeza na vida; a menopausa também é. E assim nasceu a primeira crônica.
As outras foram brotando naturalmente, com mais sintomas, informações, Menocência, briga com a balança, até que eu me peguei irritada falando com a Menô — e ela respondeu. Aí virou DR, negociação, desentendimento, reconciliação e até dança na madrugada. Ela impondo seu jeito de lá, eu contornando de cá.
Eu me divertia escrevendo as crônicas que foram nascendo enquanto a Menô aumentava sua participação. Senti que ela queria ganhar mais espaço, ter voz.
Até aquele dia…
Eu estava em Cracóvia, na Polônia, descobrindo encantada a beleza do centro da cidade, andando pela Praça do Mercado, quando ouvi um murmúrio: “precisa fazer vídeos com ela”. Achei a ideia engraçada e fiquei me perguntando como eu faria vídeos contracenando com a Menô. O dia chegava ao fim, voltei ao apartamento, mas a ideia não saiu da cabeça.

Na manhã seguinte acordei com um impulso: preciso encontrar os acessórios da Menô por aqui. Andando pelas ruas do centro senti a vontade de entrar em um lugar que, de fora, parecia uma loja de conveniência, mas dentro se abria em um longo corredor em que se encontrava tudo o que se pode imaginar. Eu sei, parece bobagem, mas foi como se a Menô me levasse pela mão para reunir tudo que ela queria usar. Foi ali que encontrei a Menô: os óculos rosa de coração, a flor que ela usa no cabelo, os brincos exagerados de argola, o lenço em flor.
E assim, no centro de Cracóvia, a Menô ganhou vida.

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