Vivi Griffon

Nasci em Santos, São Paulo, Brasil, em outubro de 1971. Sou mãe do Vinícius e essa é a história mais bonita da minha vida. Vim de uma família de mulheres fortes, que me ensinaram a ser quem eu sou: sou filha da Rosa, irmã da Vanessa, afilhada da Iraci, neta da Lourdes. E isso por si já diz muita coisa.

Minha trajetória profissional nasceu de uma grande dúvida entre números e palavras. Fui uma das poucas mulheres do curso técnico de Processamento de Dados lá no final dos anos 1980, quando os computadores eram enormes e tecnologia era coisa de menino.

A palavra ganhou. “Minha pátria é a língua portuguesa”, como disse Pessoa. E nas palavras construí meu mundo. Vieram o jornalismo, mais de três décadas de profissão, muitas redações, livros, projetos, mudanças e algumas reinvenções.

No meio do caminho descobri que uma vida pode ganhar novos capítulos.

Aos 50, decidi escrever outra história. Deixei para trás muitas certezas e comecei a viajar pelo mundo, me abrindo para experiências que acabariam transformando também o que escrevo e crio.

Depois de uma vida profissional construída com palavras, resolvi experimentar um território completamente diferente: fiz um curso e virei modelo aos 52 anos, além de um curso de surfe para realizar um sonho da juventude que ficou esquecido, mesmo tendo nascido e crescido em uma cidade praiana. 

Também comecei a namorar, justamente nessa idade em que ainda há quem insista em dizer que uma mulher já não tem muito a descobrir ou fazer na vida. Alan, meu namorado, é estadunidense, e vivemos essa experiência com o encontro entre diferentes culturas e línguas.

Viver de escrever e escrever para viver

Decidir a vida aos 17 anos não é fácil. Eu tinha uma importante decisão a tomar, já que estava inscrita nos vestibulares de Direito e Análise de Sistemas. E, de alguma forma, fui parar no Jornalismo. A ideia de viver de escrever e escrever para viver era a realização de um sonho.

E lá se vão mais de 30 anos desde que a “foca” — nome dado aos recém-formados em Jornalismo — começou a viver sua paixão.

Ainda na faculdade, fui selecionada para o curso de Focas do Estadão, uma concorrida especialização em Jornalismo Impresso realizada pelo O Estado de S. Paulo em parceria com a Faculdade Cásper Líbero, que reunia recém-formados de todo o Brasil.

A redação virou minha escola por muitos anos. Trabalhei em diferentes momentos em A Tribuna de Santos, onde fui de repórter a editora de Local — área que reunia Cotidiano, Política e Polícia — e também de Esportes. Passei pela CBN Santos, fui correspondente da Agência Folha de Goiás e Rondônia e trabalhei como repórter da Folha de S.Paulo. Como freelancer, escrevi para a revista Época, apresentei o Troféu Raça Negra e, durante cinco anos, fui repórter da Revista dos Vegetarianos.

Com o tempo, o jornalismo me levou também para outros lados da comunicação: assessoria de imprensa, produção de conteúdo, comunicação em saúde, roteiros institucionais e projetos editoriais. Mudei de formatos muitas vezes, mas nunca me afastei muito daquilo que me levou para uma redação pela primeira vez: a curiosidade pelas pessoas e pelas histórias que elas têm para contar.

Asas de águia com coração de leoa

Eu acredito que podemos ser mãe e, ainda assim, voar

Vivi Griffon é o nome artístico que adotei realizando, finalmente, um desejo que carregava desde o lançamento de um dos meus primeiros livros, ainda na década de 1990.

A escolha nasceu quando me vi diante da imagem de um grifo e me emocionei ao perceber o quanto aquele símbolo representava minha própria trajetória. Metade águia, metade leão, ele reunia duas partes de mim que nunca enxerguei como excludentes.

A leoa é a mãe que protege seus filhotes acima de tudo e está ali quando o filho precisa. A águia representa a mulher que quer voar, descobrir outros caminhos, crescer profissionalmente, mudar, experimentar o mundo. 

Foi nesse encontro entre a águia e a leoa que encontrei, finalmente, o nome artístico que desejava há tantos anos: Vivi Griffon.

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