
Os olhares famintos de Julie & Julia balançaram meu coração. Essas duas personagens do filme que leva seu nome me carregaram, em suas jornadas, ao destino que eu perseguia – e me perseguia também em retribuição.
Foi uma escolha despretensiosa diante das poucas opções disponíveis no site da companhia aérea para preencher as horas de voo entre São José, na Costa Rica, e Dallas, no Texas (EUA).
E ali, entre as panelas de Julie e os livros de receitas de Julia, eu me encontrei.
Encontrei o que vinha procurando há semanas: uma forma de colocar um pouco de mim, em suspiros diários, para compartilhar.
Julie está perdida, ou posso dizer mesmo desesperada, com um emprego frustrante e se mudando para um lugar que não queria. Julia vive o sonho de morar em Paris, acompanhando o marido diplomata, mas busca aquele algo mais para sua vida.
À primeira vista pode-se dizer que ambas encontraram no ato de cozinhar o propósito, a motivação que buscavam para o viver.
Mas o que elas realmente encontraram foi como transbordar amor. O amor que não se manifestaria no trabalho burocrático ou nas rodas sociais. O amor que nutre, que transcende, que transforma.
Os olhares, de famintos, se tornaram radiantes. Diante da última cena do filme, o meu olhar brilhou: “É isso” – pensei. Sabia que meu alimento seria outro, formado por diferentes ingredientes. É tempo de eu voltar a lapidar palavras e retomar um projeto guardado, já batizado, ainda que nasciturno.
Em uma época de olhares voltados para fora, eu me voltei para dentro e decidi finalmente trazer à vida o “Por dentro é diferente”.
Palavras que valem por mil imagens, que vão além do que é mostrado.
Porque o que se vê por fora quase nunca revela o que arde, o que pulsa, o que transborda.
E por dentro, sempre… é diferente.
Vivi Griffon