Não sei vocês, mas eu estou na “menocência”

Só me faltava essa! Acne da menopausa. Já ouviu falar? Eu nunca tinha escutado até perceber espinhas aparecendo aqui e ali — e resolvi pesquisar para saber se isso era possível. E é!

“Eu tô na menocência” — disse a mim mesma, meio indignada, meio surpresa e com bastante ironia. No espelho, vi o reflexo da Menô atrás de mim, se divertindo com esse mix de emoções contraditórias. Me dar bom-dia com um combo de emoções contraditórias é tão a cara da Menô!

Vocês conhecem aquela ideia carinhosa de que, em alguns casos, os idosos voltam a ser crianças? — principalmente pela vulnerabilidade e dependência físíca que podem surgir. Claro que metaforicamente, considerando muitas vezes a necessidade de assistência para tarefas diárias.

Pois foi aí que me dei conta: eu estou na “menocência”.

Eu acho que é assim: esse retorno à infância não acontece de um dia para o outro. Quando batemos lá pelos 40, 45 anos, já começamos a viagem de volta no tempo. 

A menopausa é exatamente o momento em que retornamos à adolescência!

Acompanha comigo: a gente fica irritada facilmente, confusa, e aparecem espinhas inesperadas. Não parece familiar? Aquela sensação de “já estive nesse lugar e imaginei que jamais voltaria”.Só que dessa vez vou pular o baile de 15 anos.

O fato é que estamos aqui: hormônios bagunçados, estresse no grau “não me encara hoje” e pipocos surgindo pela pele.

Então, já que é para viver a “menocência” — eu disse para a Vivi no espelho — vou receber de braços abertos o que vem de bom com ela: aquela fase gostosa de acreditar que todos os sonhos são possíveis, a certeza de ser invencível, de conseguir tudo o que quiser, e a sensação de que o futuro ainda pode trazer uma vida maravilhosa.

A Menô, atrás de mim, sorriu como quem diz: relaxa, adolescente rebelde, essa fase ainda vai render boas histórias.

Crônica da série A Menô e Eu, por Vivi Griffon

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