Tudo acontece sem aviso prévio, sem preparação. Geralmente, estou em um dia bom, produtivo, trabalhando, fazendo tudo que preciso e, de repente… bum! Sinto minha mente desaparecer, evaporar.

Não é igual ao esquecimento, de não saber o que eu ia fazer depois; também não parece com o fog, a névoa mental, em que tudo fica confuso.

É realmente um abandono. A mente me deixa ali, largada. Terra deserta, infrutífera.

O que fazia sentido cinco minutos antes, não faz mais. Onde havia clareza e criatividade, há apenas um grande abismo que me atira para o nada.

Eu sei que é a Menô levando a minha mente para passear. E como eu sei? Porque acontece no mesmo período em que, antes, estava a minha TPM. Como é recente — faz menos de um ano que parou e, teoricamente, nem é oficialmente menopausa —, ainda tenho esses ciclos bem claros.

Nas primeiras vezes em que aconteceu, fiquei bem desesperada, achando que estava perdendo minha mente e ficaria assim, no vazio, para sempre. Depois, fui me acostumando — quando não há opção de escolha, só nos resta acostumar…

Ultimamente, tenho aceitado até com placidez: vejo a Menô se aproximando, pegando a minha mente pela mão e levando para uma voltinha.

É como uma guarda compartilhada, em que eu e a Menô dividimos a minha mente.

Tem dias que ela está plenamente comigo. Em outros, vai passear com a Menô. E eu aguardo ela me trazer a mente de volta, fazendo atividades em que não preciso tanto dela: limpo e organizo coisas, cuido do cabelo, do meu corpo…

Quando relaxo, percebo que minha mente pode até retornar mais arejada. E eu estou pronta para recebê-la de volta.

A Menô abre a porta, solta a mão para a minha mente entrar, mas deixa a porta entreaberta antes de sair. Eu vou até lá e fecho, só por garantia — vai que a minha mente decide segui-la para devanear um pouco mais.

Recebo-a de braços abertos, com um sorriso, dizendo: “É bom tê-la de volta.” E vamos nós duas nos atualizar, contar tudo que se passou durante as ausências.

Crônica da série A Menô e Eu, de Vivi Griffon

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