
Quando eu via uma mulher comentando sobre os sintomas da menopausa, dizia veementemente, internamente: não é para mim, vou me preparar, fazer tudo que for preciso, e não vou passar por isso. Embora uma pequena parte de mim tivesse medo de que talvez não dependesse totalmente de mim passar ilesa por esse período, outra parte — ainda maior — se sentia imparável, intocável, imbatível. E era ela que me dizia, nessas horas, para eu não me preocupar.
E eu não me preocupei.
Até que me vi invadida por um tsunami de calores, esquecimentos, irritabilidades, oscilações.
Eu já não era eu.
Eu era alguma coisa entre a “eu” de antes e a de depois da chegada da Menô. Uma “eu” às vezes confusa, mas, contraditoriamente, em geral mais serena. Como quem finalmente encontra a temida desconhecida — e decide estender-lhe a mão.
Era essa versão intermediária de mim — que decidiu acolher, com o que me era possível de calmaria, essa ilustre visitante em minha morada — que conversava, entre amigas, sobre os primeiros fogachos. Éramos quatro: duas mais velhas do que eu, já íntimas da Menô; uma mais nova, ainda na fase de entender tudo na teoria.
As duas mais velhas compartilhavam dicas, memórias, vivências — tudo para facilitar minha travessia. Confessei-lhes que, em minha arrogância, antes de sentir na pele, enquanto elas externavam seus desabafos de altos e baixos, eu acreditava que passaria ilesa. Elas sorriram cúmplices, com o ar de quem conhece bem aquele lugar.
A mais nova, com voz de esperança, olhou para nós e falou:
— Sei que muitas mulheres sentem fortes sintomas, mas eu realmente estou bem… acho que não terei quase nada.
Nós, menopausadas, nos entreolhamos — e novamente sorrimos, cúmplices. Sabíamos o quanto fazia bem acreditar por mais alguns anos… e o quanto foi bom enquanto durou.
Crônica da série A Menô e Eu, por Vivi Griffon