A Menô e o último picolé de coco

Eu estava sentada no sofá e a vi chegando sorrateiramente — ela é assim, tem dias que chega e parece arrastão; em outros, vem no modo ninja. Só percebi quando já se encontrava quase diante de mim. Parecia que vinha da cozinha, por isso não entendi aquela cara de fome.

Já chegou reclamando que não encontrou nada que quisesse comer, que tudo ali parecia sem gosto, sem sabor, sem graça. Expliquei que era a nova regra da casa: comida saudável e de baixo teor calórico.

Tive a impressão de ouvir ela soltar um “humpf!” enquanto dava de ombros e se afastava.

Voltou minutos depois trazendo um picolé que encontrou escondido no freezer, entre o brócolis e “um monte de coisa verde congelada”, disse ela, com desdém.

“Precisamos comer algo doce!” — ordenou, estendendo o picolé de coco na minha direção.

A Menô parecia decidida e não ia arredar pé. Eu confesso que meio que concordava com ela: precisávamos de algo para adoçar o dia. Além do mais, quem era eu para contradizê-la com aquele mau humor?

Sentou-se ao meu lado e dividimos o último picolé de coco estocado. Ela não parecia satisfeita. “Espero que ela não encontre a barra de chocolate atrás do pote de aveia”, pensei tão baixinho quanto podia para ela não ouvir.

Mas, pela cara que fez e pela forma como se levantou decidida, acho que não ia ter jeito: eu teria que devorar com ela o chocolate também.

Quem é doida de contrariar a Menô quando ela está louca por doce? Eu, não.

Crônica da série A Menô e Eu, de Vivi Griffon

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